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Monday, 20 September 2010

Alinhavos à laia de MARCO..... 20, e o dia do primeiro julgamento

Sobre o julgamento:
(AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH..................acabei de saber os resultados.
Mas primeiro os outros textos a surgir nas horas próximas. Mas agora já meu coração....)


Precedendo outros textos a surgir nas horas próximas...
MUITO MATERIAL RICO PARA TRANSFORMAÇÕES QUE SE IMPÕEM E
POEMAS POR FAZER



Teu corpo agarrado
meu corpo amarrado
pelo horror

Meu corpo atropelado
teu corpo de mãe, menina,
de mulher 
no chão esmagado
triste sina
de ser
— passado?
Um tractor
humano morto
máquina viva
espírito torto
com carne e pele e ossos
de chumbo 
grossos
e toda a fealdade
de um ser repelente
de uma bestial verdade
de uma consciência ausente

Nossos corpos dobrados
nossos corpos obrigados
pelo mundo oco
pela luxúria cega
pela violência
de quem louco
odeia a sapiência
destrói
a quem pega
só dói,
sómente
mente
mente
mente
e nada
sente.

Tuesday, 3 August 2010

a ☆ nesse vasto vale de luto

Eram muitos os loucos 
à minha volta
e o ignóbil me cercava todo o dia
mas de soslaio vi aquela  imagem :
De dois círculos, um olhar.
De uma viajem, 
um vulto.
E uma mensagem 
que dizia: 
— voar !

Nem pude melhor ver
ou ler 
ou observar
Mas foi como se uma estrela 
se erguesse do fundo 
negro do mar !
pequena mas tão brilhante!

E mesmo nesse tempo de trevas e ameaça
nesse vasto vale de luto
senti no meu fundo o brilho da Graça
o mistério luminoso que de novo me sorria,
como dantes, O Companheiro
a permanente alegria !

E eu só,
num mundo inteiro 
de gente sem dó
de atenção deserto 
de um escuro véu,
coberto
senti
minh' alma cintilante,
e no coração 
o azul do Céu,
...
vi.
...



"Do horror uma flor" - V. de Junho 2010

Thursday, 22 July 2010

Dôr viva - material de construção

Quanto chora
meu coração 
há tanta hora.
O leito
no rio
do meu peito
feito de osso
ranjente, ranjendo
tão fundo cava 
cada expiração.

Como dois baldes 
descendo ao fundo 
dos meus pulmões 
que são dois poços
cheios
do ar prenho
e grosso 
das lágrimas
que tenho 
e ouço
correr
e encher
e que doem
e sobem
e pressionam e 
moem
meus ossos 
como balões
de fogo 
que querem subir 
e não podem
incendiando
as árvores
que habitam meus pulmões
no seio dos ossos
ardendo
ardendo
em chama
dentro dos dois poços
ranjendo

gemendo

O rio
que corre
que corre
do leito 
no centro do meu peito
inundando as margens
revivificando as raízes
abandonadas
esquecidas!

Trazem as correntes
das expirações
lentas, enferrujadas
os baldes
ao de cima,
como meus seios
de lágrimas 
cheios
— de minha sina!

oh inspirações
oh Farol
que me vês de cima
Verte-as agora 
sobre 
as árvores
em fogo encharcadas
minhas lágrimas
de chamas
nestas páginas
vertidas

oh sonhadas 
esculturas de mármores
a sangue
e sol
esculpidas 
contra o estanque 
do cinismo e da morte
apesar
da pesada sorte.
oh antes desertas
árvores
dentro de cada pulmão
e fora.

porque o meu coração
em todo o lugar ora 
e mora

à luz
agora
libertas
— e vivas! 

Wednesday, 21 July 2010

Artemísia - Re de um oráculo vivo

(Parte de -  Re: um oráculo vivo)


Invocação de Artemísia

Oh tu deusa da liberdade
dos caminhos
tu que como eu amaste
acima de tudo
os bosques e os verdes pinhos


Tu que de noite
te deixaste encantar!
Tu que foste ferida
pelas lanças
das estrelas
ao luar

...
continua mesmo

20 de Julho de 2010



Wednesday, 7 July 2010

A voz do céu

Tu,
invisível escutador de miragens!
Oh, génio! que num frémito
engoles e cospes
do Universo, todas as paisagens!

Tu
Murmúrio das Vias Lácteas!
oh sangue do meu sangue
sussurrante silêncio 
por entre as galáxias!


Retorna!... voz de ouro!
...
...
...
...

Monday, 5 July 2010

Re de um Oráculo Vivo


No ar
dos rios
os risos de crianças
correndo
caindo em cascata!
....

Penélope
coreografando suas danças
com fios
tecendo
destinos em ouro e prata.
...

E o resto do mundo gemendo
e o resto do mundo fenecendo
violência berro grito da tortura
lava lenta 
maquinal
besta violenta
o chumbo do mal
trepando pelas pernas
das mulheres na calçada
algemando passos de flores
das crianças
encinerando a beleza
a sedução que procuras
tudo do amor
danças
esmagadas em pavor.

Tudo cinza 
tudo ódio
tudo ferro
tudo nada
tudo gente apavorada
tudo morte
da árvore da vida
a vida sugada
abandonada
por nós, à sua sorte.
...


Cont.

Ouve Poeta Verde (de A Força do Belo)

Ouve poeta verde:
Não é verdade 
que tudo seja arranhar de ranjer de unhas
nas faces destroçadas
por de trás
das máscaras-passaporte-de-todos-o-cidadão
Não é verdade
que tudo seja crueldade.

Existem músicos
que tocam flauta
ao acender das fogueiras celestes

E muitos, embora os não ouçamos,
ouvi-los-emos
e muito embora os não vejamos,
vê-los-emos:
Uma noite,
eles desertarão a sala de concertos,
para de mansinho pela madrugada se levantarem
e nos primeiros azuis
que da obscura noite se anunciam,
no espaço seus cantos lançarem
suspiros de ar, em tubos. Tremendo.

Calar-se-ão às vezes
para deixar ouvir os pássaros.
E no silêncis sem peso
nossos corações
se erguerão
como de Nut o filho se ergue
dos profundos Tártaros.

Wednesday, 30 June 2010

Poetry

it
takes
a lot of

desperation

dissatisfaction

and
disillusion

to
write

a
few
good
poems.

it's not
for
everybody

either to

write
it

or even to

read
it.

Charles Bukowski
in the Pleasures of the Damned

Monday, 28 June 2010

Passos de flores

 Descalça vai....



                                            ... e não segura


O som baço
de cada passo
na areia fina

Os meus pés,
de flores calçados
montinhos de luz-sombra
pisando
E os meus olhos,
de praia maravilhados,
De cima,
observando:


sol-lua            sol-lua           sol-lua
só-tua             só-tua            só-tua


E o mar lá ao fundo
e eu quase meditava de novo
e eu quase respirava de novo
...

porque de novo, encantado o mundo.



28-6-10


(versão cortada)


Sunday, 27 June 2010

Hierosgamos

Ao Levante
traz-me o Astro
uma semente de fogo.
Como-a.

27-7-05

Monday, 14 June 2010

No silêncio, as rosas

Sempre foi no silêncio
que nasceu a rosa
a flor
da palavra.

Os frutos por colher
em mim
de uma árvore por crescer
no desconhecido jardim.

No silêncio
o meu segredo fala
de desgraça e miséria
(ele que me não fala)

Oco, foi o espaço do horror
dos ignóbeis humanos ritos
onde brotou o mal engolidor
dos meus gritos.

Oco foi o vazio
onde passei a dor
mas no silêncio,
passa ela a ser flor.

No silêncio
me orientei para a felicidade
de mãos abertas
de mãos cheias de rosas.

Mas o meu segredo
não as quis, às rosas
e as minhas mãos envelheceram
mas as rosas, não.

São flores desfeitas
pétalas soltas,
perfumes ao vento
sementes a semear
por dentro do tempo.

São rosas-poentes
São flores da dor
São rosas-sementes
por germinar
dentro do amor.


14 Junho 2110